
Texto por William Lage
Depois de diversas intimações e ameaças ferrenhas de desfiguração me vejo obrigado a dar minha primeira contribuição para esse blog. Nunca escrevi antes para blog nenhum, mas acho que essa é uma ótima oportunidade para começar, por duas razões: meu amor a música e ao cinema. Quando as duas se juntam (a não ser nesses musicais pé no saco a la Broadway, que inventaram de ressuscitar do eterno sono do bom senso, pra quê??!!) merece muito a minha atenção.
O filme em questão é It Might Get Loud, que o Festival do Rio nos presenteou ao trazer para o Brasil. O filme é basicamente sobre Jack White, The Edge e Jimmy Page, tocando juntos (!!!) e falando sobre música. Quem lê essa descrição no início pensa, deve ser um saco, não vou entender nada. Larga disso e senta a bunda na cadeira que o filme faz o resto.
Ver três gerações de músicos juntos e desse calibre é impagável. Jack White com a guitarra bluesada e ácida, The Edge com as texturas que brincam com a gravidade de quem as escuta e o gigante Jimmy Page com a guitarra ora pesando uma tonelada, ora fazendo os ouvidos derreterem; explicando-nos suas sonoridades, suas influências, suas maneiras de compor (o que é a cereja do bolo do filme) e um pouco de suas histórias é coisa que eu não tinha visto antes. Grande idéia. A direção de Davis Guggenhein nos deixa frente a frente com os músicos, batendo papo e rindo juntos. É demais. Nas cenas em que Jimmy Page está mostrando um pouco do que ele gosta de escutar em casa, parece que estamos ali, na sala, junto com ele, tamanha a simpatia e a naturalidade com que a câmera e o gênio se relacionam.
Um momento impagável, e provavelmente o melhor do filme, é quando Page está tocando o riff the Whole Lotta Love para Edge e White assistirem com um sorriso impossível de esconder no rosto. Edge ainda o deixa suavemente transparecer, mas a expressão de White é simplesmente poesia. É o Bruce Lee vendo seu mestre de Kung Fu dar porrada em 50 caras. É a primeira vez que um garoto de 12 anos vê os seios de uma mulher adulta e gostosa ao vivo. É Jack White vendo Jimmy Page tocar Whole Lotta Love pra ele assistir de boca aberta.
Poderia contar para vocês mais cenas do filme, mas meu senso de profundo respeito com o ser humano fissurado em música não me deixa. Só digo que envolve os três juntos, tocando e cantando uma canção que é símbolo do rock pelo filme no qual esta foi lançada ao mundo, ícone de uma época que mudou os rumos do mundo e da música. Espero que não tenha estragado a surpresa…
Pra terminar, fiquem com o trailer do filme. E fechem essas bocas pra não entrar mosca.
Sempre foi moda os ”Supergroups” (bandas formadas por músicos consagrados por já terem tocado solo ou em outro grupo), Cream, Humble Pie, Bad Company e Traveling Wilburys são alguns exemplos. Na última década, qualquer fim ou hiato de uma grande banda parece ter se tornado motivo para esse tipo de união. Velvet Revolver (Guns e Stone Temple Pilots), Angels&Airwaves (Blink182 e The Offspring), Chickenfoot (Red Hot Chili Peppers, Van Halen), Dead Weathers (The Kills e White Stripes), Audioslave (Soundgarden e Rage Against The Machine) e Them Crooked Vultures (Foo Fighters, Led Zeppelin e Queens Of Stone Age) são as mais conhecidas.